Após denúncias do Projeto Manuelzão, estruturas de garimpo ilegal são destruidas no Rio das Velhas

30/09/2026

Polícia Militar de Meio Ambiente e Ibama incendiaram 5 balsas nos municípios de  Raposos, Rio Acima e Nova Lima

Denúncias de garimpo ilegal no Rio das Velhas remontam a 2017. Foto: PMMG.

Por Bruno Pereira

A Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMG), em parceria com o Ibama destruiu cinco balsas de garimpo ilegal no Rio das Velhas, na altura dos municípios de Raposos, Rio Acima e Nova Lima.  A  ação, realizada em 30 de março, é um desdobramento da quarta fase Operação Drakon, que nas fases mais recentes concentrou esforços no combate à mineração ilegal no Velhas. 

Em vídeo publicado no Instagram, os agentes explicam que a ação desarticulou quatro pontos de garimpo ilegal. A publicação esclarece ainda que nas instalações foi encontrado mercúrio, substância tóxica utilizada no garimpo para separar o ouro de outras substâncias e que, em contato com a água, contamina rios e peixes, além de causar danos à saúde humana.

Os agentes destacam que a queima das estruturas se justifica com base no Decreto Federal nº 6514/2008, que dispõe, entre outras coisas, sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. Por meio de nota, a PMMG informou que “foram detectados vários pontos de garimpo com dragas e balsas com bomba de sucção e recalque com motores estacionários a diesel instalados e em operação no leito do rio”.  

Apesar da destruição das estruturas, ninguém foi preso. Segundo a corporação, “os garimpeiros, trabalhadores, operadores e mergulhadores, assim que detectaram a presença das viaturas policiais, correram para dentro do mato”. As atividades registradas durante a operação ferem o Decreto Estadual nº 47.383/2018, os artigos 55 e 56 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e foram enquadradas como crime de usurpação de bem material pertencente à União. 

Ilegalidade persistente

As fases III e IV da Operação Drakon se concentraram entre 2025 e 2026, mas o histórico de denúncias é muito anterior. O Projeto Manuelzão e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Velhas) já suspeitavam de atividades de  garimpo ilegal desde 2017, quando uma expedição constatou a prática no trecho de Rio Acima.

Novas denúncias vieram em 2020 quando o Projeto Manuelzão e moradores denunciaram atividades da empresa Rio Preserv, no município de Rio Acima, poucos quilômetros antes de Nova Lima. A Rio Preserv atuou na região por três anos até ter suas licenças revogadas, somente em outubro de 2023, pela Superintendência Regional de Meio Ambiente Central Metropolitana (Supram).

Outras denúncias se seguiram em 2021 e 2022;  a última constatou ao menos 12 dragas de mineração em Rio Acima. Em 2023, uma operação da PMMG em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima, resultou na prisão de quatro suspeitos de praticar garimpo ilegal no Rio das Velhas por meio da lavra de aluvião, ou seja, extração de minerais no fundo do rio. 

A prática, além de ilegal, é especialmente perigosa em regiões próximas a estações de tratamento de água. Além de aumentarem a turbidez, elevam também o risco de movimentar estruturas no fundo do rio com alta concentração de metais pesados. 

Os suspeitos operavam a apenas 6 quilômetros da Estação de Tratamento de Água (ETA) Bela Fama, responsável pelo abastecimento de 2,4 milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Edição: Enaile Almeida

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