Sob Bolsonaro, Abin monitorou o Projeto Manuelzão e manifestações sobre o rompimento da Vale em Brumadinho

19/05/2026

Monitoramento envolveu mais de 40 entidades e avaliava repercussões políticas das mobilizações para o governo federal e o estado de Minas Gerais

1 ano da tragedia crime de Brumadinho. Foto: Douglas Magno

Por Bruno Pereira

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou movimentos e manifestações em apoio às vítimas do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, durante as comemorações de um ano do crime. Um relatório obtido com exclusividade pelo portal  ICL Notícias revela que o objetivo era avaliar a repercussão e o desgaste político para o governo federal e para o governo do estado de Minas Gerais.

Apesar de movimentações pacíficas, repercussão política das manifestações preocupavam. Foto: ICL Notícias/ Divulgação.

O documento, compartilhado com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e com a Casa Civil da Presidência da República, listou 45 entidades envolvidas nas mobilizações. Entre elas estavam o Projeto Manuelzão, o Movimento dos Atingidos por Barragens, a Frente Brasil Popular, o Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração, os Polos de Cidadania da UFMG e diversas organizações ambientais, religiosas e comunitárias.

“Isso mostra o padrão que se tinha no antigo governo, que tentava colocar como inimigos aqueles que lutam pelo social”, afirma Marcus Vinícius Polignano, professor da Faculdade de Medicina e um dos coordenadores do Projeto Manuelzão. “Essa atitude mostra que nós sempre estivemos do lado certo”. 

O monitoramento registrou as principais reivindicações da população atingida: a continuidade das buscas por desaparecidos, a revisão dos critérios de indenização, a reparação ambiental e a responsabilização dos envolvidos no rompimento. O relatório também documentou denúncias de movimentos sociais sobre supostos favorecimentos nos acordos firmados com a Vale, além da insatisfação dos atingidos com o auxílio emergencial e com os critérios de compensação por danos materiais e morais.

O conteúdo das informações levantadas pela Abin evidencia que a preocupação central do governo federal não era com as vítimas, mas com o impacto político do crime. No dia 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem despejou cerca de 13 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração sobre o refeitório da empresa, matando 272 pessoas. A lama percorreu o Rio Paraopeba e atingiu uma represa em Três Marias, a mais de 300 quilômetros do local da tragédia-crime.

Sete anos após o rompimento, nenhum responsável foi preso ou condenado por um dos maiores crimes ambientais e trabalhistas da história do Brasil.

Edição: Enaile Almeida

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