Acordo do clima em Paris: torná-lo realidade exige mais atitude

17/12/2015

O acordo não resolve o problema do aquecimento global, analisam especialistas. Ele apenas cria um ambiente político mais favorável à tomada de decisão para que os objetivos assinalados por 196 países sejam alcançados.

O acordo estabelece apenas as condições para que algo
aconteça, e, nesse caso, não há sequer prazos ou metas. As propostas
apresentadas voluntariamente pelos países passam a ser consideradas
“metas” que serão reavaliadas a cada 5 anos, embora a soma dessas
propostas não elimine o atual risco de enfrentarmos os piores cenários
climáticos com a iminente elevação média de temperatura acima de 2ºC.

Para ambientalistas do Manuelzão, a COP-21 deveria ter
sinalizado um caminho diferente para pelo menos amenizar a situação preocupante
e caótica do clima na Terra. Para eles, faltaram mais propostas concretas que
precisariam ser feitas para que o Acordo de Paris fizesse alguma diferença para
a Humanidade. “Precisamos de compromisso com o presente e não promessas para o
futuro”, disseram.

Para conseguir mudanças, é preciso realizar muito mais e
melhor, do que tem sido feito até agora. Segundo o Painel Intergovernamental de
Mudança Climática da ONU, a situação é de caos e a quantidade de moléculas de
C02 na atmosfera já ultrapassou as 400 ppm (partes por milhão) o que confirma a
progressão rápida da temperatura acima dos 2°C. “A Conferência por si, não muda
essa realidade”, alertam ambientalistas. Para eles, falta transformar discurso
em atitude.

Como o acordo não obriga os países a realizarem “algo
mais” além daquilo que alguns já se propuseram a fazer, há uma imensa
lacuna que só poderá ser preenchida com firmeza, determinação e muita coragem
para enfrentar, por exemplo, certos lobbies.

O que precisa ser feito

A decisão mais urgente deveria ser a eliminação gradual dos
U$ 700 bilhões anuais em subsídios para os combustíveis fósseis. Sem essa
medida, é difícil imaginar que a atual dependência de petróleo, gás e carvão (75%
da energia do mundo é suja) modificará no curto prazo.

Além disso, pra piorar a situação nada sugere que haverá a
inflexão da curva de emissões de gases estufa, pois a queima de combustíveis
fósseis segue em alta e não há indícios de que isso se modifique tão cedo.
Outro ponto é a recente elevação das taxas de desmatamento na Amazônia.

É necessário mudar essa realidade, é como explicam
ambientalistas, enquanto o analfabetismo ambiental prevalecer no meio político,
a situação não deverá mudar. É preciso adequar às políticas públicas a atual
realidade de abandono e destruição de nossas matas, rios, enfim do meio
ambiente.

 
 

Como alerta os especialistas, o Acordo do Clima é certamente
um dos maiores e mais importantes da história da diplomacia mundial. Mas não se
pode ficar apenas em propostas, é preciso avançar muito ainda, pois o Acordo
sinaliza rumos e perspectivas, mas torná-lo realidade exige mais atitude dos governantes.

O que ficou acordado

O texto final prevê manter o aumento da temperatura média bem
abaixo dos 2ºC e imprimir esforços para limitá-lo em 1,5ºC acima dos níveis
pré-industriais. Vale lembrar que já estamos com elevação de 0,8ºC, por isso, o
empenho para atingir a meta será grande e difícil.

Outro objetivo previsto no texto final foi que cada país buscará
promover um fluxo financeiro consistente com economias de baixo carbono que
também sejam resilientes (adaptáveis) às mudanças do clima. Dessa forma, a
partir de agora, os combustíveis fósseis estão com os dias contados, pois são
incompatíveis com um futuro seguro. Isso acontece porque eles são os principais
responsáveis pelas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs), vilões do
aquecimento global.

Uma das maiores discussões foi a questão do financiamento das
ações de mitigação (reduzir o impacto) e adaptação às mudanças climáticas.
Ficou definido que os países desenvolvidos deverão fornecer recursos
financeiros que ajudem as nações em desenvolvimento com a adaptação e mitigação.
Esses países ricos devem liderar a mobilização desses recursos que, até 2025,
deverão ser da ordem de US$ 100 bilhões ao ano. Já as nações emergentes serão
encorajadas a fornecer voluntariamente fundos para essas ações.

Após a definição, agora vem a parte da implementação das
contribuições previstas por cada país. Certamente, o Brasil precisará fazer
mais do que havia proposto na sua INDC (Contribuições Nacionalmente
Determinadas Pretendidas), antes da COP. O país terá que aumentar sua ambição,
que foi diminuir as emissões em 43% até 2030, reduzindo o desmatamento (que
aumentou 16% na Amazônia em 2015), descarbonizando seus processos industriais
(por exemplo, utilizando matérias-primas que não sejam provenientes de
combustíveis fósseis) e, principalmente, focando sua matriz energética em
fontes renováveis como o etanol de segunda geração, aquele que é produzido a
partir do bagaço da cana.

A pedra fundamental foi estabelecida. Agora, precisamos estar
atentos em como isso se traduzirá em ações práticas em cada país. Esse é apenas
o início de um longo percurso que será difícil, mas que, sem dúvida, temos toda
condição de trilhar. A implantação do Acordo de Paris, com absoluta certeza,
mudará o mundo.

 

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