Está no ar a Revista Manuelzão 96, “Meta 2034: rio das Velhas vivo” – Projeto Manuelzão

Está no ar a Revista Manuelzão 96, “Meta 2034: rio das Velhas vivo”

12/12/2025

Publicação detalha estratégia para despoluir o epicentro da degradação do Rio das Velhas nos próximos nove anos

Já está disponível a edição 96 da Revista Manuelzão, que traz como tema central a Meta 2034. A publicação apresenta um chamado urgente: construir um pacto capaz de transformar o trecho mais degradado da bacia do Rio das Velhas, devolvendo qualidade às águas que abastecem milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A entrevista de abertura traz Apolo Heringer Lisboa, idealizador do Projeto Manuelzão e embaixador da Meta 2034. O médico sanitarista e ambientalista apresenta a filosofia central da iniciativa: concentrar esforços onde eles podem gerar maior impacto. Apolo explica que o epicentro da degradação, um trecho de 60 quilômetros entre Bela Fama, em Nova Lima, e a foz do Ribeirão da Mata, concentra 85% da poluição e do Produto Interno Bruto da bacia. “O milagre de que precisamos começa hoje”, afirma, defendendo que a Meta 2034 seja incorporada ao planejamento econômico federal.

Nesse contexto, um dos destaques da edição é a reportagem sobre o investimento de aproximadamente 1 bilhão de reais anunciado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa,  para modernizar a Estação de Tratamento de Esgoto do Ribeirão do  Onça. A obra, com previsão de conclusão em 2032, promete  transformar a unidade na primeira estação de grande porte do Brasil com tratamento terciário completo. A ampliação  vai elevar  a capacidade de tratamento de 1,8 mil para 2,7 mil litros por segundo. 

A viabilidade científica da Meta 2034 é comprovada em artigo assinado pelos biólogos Carlos Bernardo Mascarenhas Alves e Paulo dos Santos Pompeu. A dupla apresenta os resultados de mais de duas décadas de biomonitoramento de peixes na bacia, documentando conquistas notáveis. Espécies como o dourado e a matrinxã voltaram a ser avistadas graças às melhorias no tratamento de esgoto iniciadas com a Meta 2010.

Os pesquisadores também revelam descobertas preocupantes, como a detecção de microplásticos em peixes da bacia, um problema que já ocorria desde o final do século passado. O artigo reforça que os peixes funcionam como bioindicadores confiáveis da saúde do rio e que a meta é viável, desde que acompanhada de ações de conservação dos afluentes em melhor estado, como o rio Cipó, que funciona como repositório natural de espécies.

Para compreender os desafios atuais, a revista resgata a trajetória do Projeto Manuelzão desde sua fundação, em 1997, passando pela expedição histórica de 2003 que desceu os 806 quilômetros do rio. As Metas 2010 e 2014 resultaram em melhorias de cerca de 60% na qualidade das águas, demonstrando que políticas públicas focadas geram resultados concretos. A edição traz depoimentos de Ronald Guerra, ambientalista que participou das expedições, e  outros protagonistas dessa história de resistência, mostrando como a mobilização social foi fundamental para evitar a morte completa do rio.

A publicação também dedica uma reportagem à reflexão histórica sobre como a divisão territorial herdada da colonização portuguesa fragmentou a gestão das bacias hidrográficas brasileiras. O texto, com participação do professor Marcus Vinícius Polignano, explica que a lógica administrativa dos municípios e estados ignora os limites naturais das águas, dificultando políticas integradas de preservação. “Quando você esquarteja o território, você faz uma fragmentação que gera também uma visão de exploração ruim”, argumenta Polignano.

A dimensão educativa da Meta 2034 aparece na reportagem sobre a parceria entre o Projeto Manuelzão e o Programa de Educação Ambiental da Copasa. Estudantes de escolas da Grande Belo Horizonte participam de ciclos de aprendizado que incluem monitoramento experimental da água, adoção de nascentes e visitas à Estação de Tratamento de Água Morro Redondo. A iniciativa forma multiplicadores ambientais nas comunidades, ampliando a consciência sobre a importância da preservação dos recursos hídricos. “A gente discute a forma como a simplicidade da coleta em campo transforma o rio em uma sala de aula viva”, afirma a bióloga Vanda Cardoso, responsável pelas ações de educação ambiental do projeto.

A edição se encerra com um painel de depoimentos de especialistas e ativistas, incluindo José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente, Carla Wstane, do Instituto Guaicuy, Júlio Grillo, ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em Minas Gerais, e Nancy Souto, ambientalista de Raposos. Todos reforçam a necessidade de um amplo pacto institucional que envolva poder público, empresas e sociedade civil.

Isso e mais está na Revista Manuelzão 96. Boa leitura!

Página Inicial

Voltar