10/07/2026
Tamboril Vivo marca o retorno das atividades do núcleo Manuelzão na Regional Norte de Belo Horizonte
Por Bruno Pereira
A Associação Coletiva e demais integrantes do Núcleo Tamboril realizam nesta terça-feira, 14, o evento Tamboril Vivo, em busca de fortalecer as relações de pertencimento da comunidade com os córregos do bairro Jardim Felicidade. A ação, que tem como foco a educação ambiental e a revitalização do córrego Tamboril, será realizada em três espaços do bairro: Praça Padre Pigi, Campo Madalena e a sede do ponto de cultura Associação Coletiva.
São 14 atividades simultâneas, entre ações, oficinas, apresentações e exposições com temática ambiental, realizadas por parceiros e pelas escolas municipais Rui da Costa Val, Jardim Felicidade, Florestan Fernandes e Francisco Campos, além de duas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei), a Solimões e a Curumins. A organização espera a participação de cerca de 300 crianças e adolescentes.
O Projeto Manuelzão é um dos parceiros do Núcleo Tamboril e estará presente com diversas atividades de educação ambiental. O evento marca uma retomada das atividades do núcleo, que voltou a se reunir em 2025 graças a articulações promovidas pela Associação Coletiva, fundada em 2011 por jovens da região que viam a necessidade de intervenções para a melhoria do córrego no trecho do Jardim Felicidade.
Além disso, a iniciativa busca ressaltar a luta e a revitalização do Tamboril e manifestar o desejo da comunidade pela criação de um parque ciliar na região. “É muito mais uma provocação, a gente quer chamar atenção do poder público”, explica Cleiton Henriques, produtor cultural, cofundador da Associação Coletiva e membro da comissão do Movimento Parque Izidora. “O Drenurbs está em sua segunda etapa e nós queremos muito o Córrego Tamboril incluído nessa etapa”.
O Córrego Tamboril, com cerca de 3.300 metros de extensão, é um afluente do Ribeirão Izidora, um dos mais longos cursos d’água que cruzam Belo Horizonte, integrante da bacia do rio das Velhas. Os primeiros registros de ocupação próximo ao córrego remontam a 1980, justamente no bairro Jardim Felicidade, na Regional Norte. A ocupação no entorno do Tamboril, que como em muitas regiões do Brasil aconteceu de forma desordenada, impõe diversos desafios para a revitalização do curso d’água.
Cleiton conta que, quando as ocupações começaram, os novos moradores podiam usufruir da água do córrego: “Bebiam água das nascentes, as crianças brincavam, as pessoas lavavam roupas, o uso era constante”. Mas uma mudança na relação com o curso d’água acelerou sua degradação.
“Só que ao mesmo tempo, as mesmas casas que se agrupam na beira do rio aprenderam que elas tinham que destinar seus canos para o córrego”, completa. “E é muito comum que as pessoas pensem ‘onde eu vou jogar o entulho da minha casa?’, alguém inaugura esse processo e instaura ali um bota fora, que é o maior desafio do Jardim Felicidade”, explica Cleiton.
Outro desafio da ocupação desordenada na região é o tratamento de esgoto, além da preservação de nascentes, muitas vezes suprimidas por construções irregulares. Embora progressos tenham sido alcançados ao longo dos anos, a revitalização do Tamboril é a principal demanda do núcleo. Atualmente, o curso d’água abrange os bairros Jardim Felicidade, Solimões, Jardim Guanabara, Granja Werneck, Tupi e Floramar, uma população de mais de 20 mil pessoas.
Outra demanda das comunidades de entorno para a região é a proteção da Mata do Izidora, pelo seu papel na regulação climática das regiões norte e nordeste da cidade, as mais quentes da capital. A população local reivindica que a área seja transformada em unidade de conservação, a fim de garantir sua proteção e permitir que a comunidade possa usufruir do espaço.
Uma tentativa de declarar o valor ecológico, paisagístico e cultural da Mata do Izidora foi proposta pelo Projeto de Lei 998/2025, que apesar de aprovado em primeiro turno com 33 votos favoráveis e 7 abstenções, ainda não foi votada em segundo turno.
Edição: Enaile Almeida