Conselho do Hospital da Baleia publica ofício contra projeto da Tamisa de minerar a Serra do Curral

07/05/2021

Você viu? No último mês o conselho do Hospital da Baleia se posicionou contrariamente à instalação de um complexo minerário na Serra do Curral; o complexo ficaria a menos de 2km do hospital e impactaria a qualidade do ar

Após o movimento Mexeu com a Serra do Curral, mexeu comigo! procurar a Fundação do Hospital do Baleia para relatar sobre o Complexo Minerário Serra do Taquaril (CMST), que a Tamisa (Taquaril Mineração S.A.) pretende instalar na Serra do Curral, o conselho do hospital publicou um ofício se posicionando contrariamente ao empreendimento. Com mais de 75 anos de história, o Hospital da Baleia é referência em oncologia e pediatria.

Nas últimas semanas, mostramos o megaempreendimento que a Tamisa quer instalar na Serra do Curral, moldura da capital mineira e que, caso aprovado, trará consequências irreparáveis para a qualidade de vida de milhões de pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), além de enormes e irreversíveis danos à fauna, à flora e às riquezas hídricas da região.

Outro ponto do projeto que gera temor é a proximidade com o Hospital da Baleia. Os limites do complexo projetado para a Serra do Curral ficam a menos de 2 quilômetros das duas unidades. Da unidade de oncologia, a distância é de apenas 1,4 quilômetro, já a unidade principal, referência em pediatria, fica a 1,9 quilômetro.

“Trata-se de um complexo hospitalar valioso a nível estadual. Com a possibilidade de a Mata da Baleia ser ilhada pelo empreendimento, perderíamos diversidade e, por consequência, todos os indicadores ambientais que o hospital têm atualmente. Dessa forma, o Hospital da Baleia deixaria de ser referência, sobretudo se pensarmos também na perturbação dos pacientes com tremores, barulho e poeira”, afirma Jeanine Oliveira.

No início do último mês, o Conselho Consultivo do Parque Estadual Florestal da Baleia, de forma unânime, também foi contrário ao empreendimento da Tamisa. O Hospital da Baleia fica nos limites da área do Parque.

Leia o ofício na íntegra:

Belo Horizonte, 09 de abril de 2021
À DIRETORIA DE ÁREAS PROTEGIDAS DO IEF
At. Dr. Henri Dubois Collet
As.: TAQUARIL MINERAÇÃO S/A

Prezado Dr. Henri,

Tomamos conhecimento de uma avaliação técnica apresentada pela Taquaril Mineração S/A – TAMISA, junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), correspondente ao pleito de licenciamento ambiental do Projeto Complexo Minerário Serra do Taquaril – CMST (procedimento administrativo SUPPRI n.º 218/2020).

Estamos preocupadíssimos, pois, após detida análise, concluímos que o EIA-RIMA não considerou adequadamente os futuros impactos ambientais do projeto Complexo Minerário Serra do Taquaril – CMST sobre o Parque Florestal Estadual da Baleia, podendo comprometer, de forma acentuada, a conservação da biodiversidade e a manutenção da qualidade ambiental da referida Unidade de Conservação. Além disso, esta atividade minerária tem um alto potencial de gerar poluição de diversas formas na área atual do Hospital da Baleia e nas populações humanas assentadas em seu entorno.

Chama-nos a atenção que, no caso da aprovação do projeto, em alguns mapas, a cabeceira do Córrego da Baleia irá receber poeira da Mineração e, dependendo da intensidade dos ventos, essa poeira descerá o vale em direção ao Complexo Hospitalar da Baleia. No estudo ambiental apresentado pela Mineração Taquaril não foi mencionado possível rebaixamento do lençol d’água subterrânea, gerando a diminuição da vazão dos Córregos da Baleia e outros ao redor da cava principal. A poluição sonora irá afetar a fauna silvestre e, com a diminuição da cobertura vegetal, irá afetar o corredor ecológico que liga os Parques da Baleia e do Rola Moça, que, se intocado, serve de caminho para diversas espécies da fauna local.

Cabe destacar que, há cerca de 15 anos, o Hospital da Baleia vem tentando o seu Licenciamento Ambiental e a sua Regulação Urbana, mas sempre esbarrando em enorme burocracia e uma infinidade de exigências, a fim de cumprir e se adequar às legislações estaduais e municipais sobre o meio ambiente, mesmo sabendo e demonstrando que as suas atividades não agridem o meio ambiente, mas sim cuidam e preservam a saúde da população carente de 88% dos municípios do Estado de Minas Gerais. Portanto, achamos inconcebível que uma atividade que busca o lucro, independente das graves agressões ao meio ambiente, seja aprovada.

Diante do exposto, vimos recomendar veementemente a reprovação do licenciamento ambiental do Projeto Complexo Minerário Serra do Taquari, acompanhando parecer do Conselho Consultivo do Parque da Baleia.

Certos da vossa costumeira atenção e cordialidade, antecipamos os nossos agradecimentos.

Atenciosamente,

Raquel Virgínia Rocha Vilela
Presidente do Conselho Curador
Fundação Benjamin Guimarães
Hospital da Baleia

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