Moradores convocam carreata em protesto contra a exploração minerária da Serra do Rola Moça

21/01/2021

Possível reativação de mina da Mineração Geral do Brasil (MGB) ameaça área de preservação no Parque Estadual do Rola Moça; moradores alertam para o impacto negativo que o projeto trará para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população

Manifestantes do movimento Rola Moça Resiste realizarão, no próximo domingo, 24, novo ato contra a instalação da Mineração Geral do Brasil (MGB) no Parque Estadual da Serra do Rola Moça. A manifestação tem início previsto para 9:30h, na praça de Casa Branca, em Brumadinho, de onde partirá uma carreata até o Mirante dos Veados, localizado no parque de mesmo nome.

O dia 24 foi escolhido por lembrar a véspera do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, pertencente à mineradora Vale, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. O crime vitimou 272 pessoas, 11 delas ainda desaparecidas. O Parque do Rola Moça fica a 19 km da mina Córrego do Feijão.

O ato de domingo será a segunda manifestação organizada pelos moradores em três meses. Dessa vez, os manifestantes – moradores de Belo Horizonte, Ibirité, Nova Lima e Brumadinho, além de representantes de ONGs, de confederações sindicais, movimentos sociais e ambientalistas – querem chamar a atenção do judiciário, da imprensa, de gestores e autoridades públicas para o impacto que a instalação de uma mineradora no Parque do Rola Moça trará para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população.

Na próxima quinta-feira, dia 28, será realizada uma audiência virtual no Tribunal de Justiça (TJMG) sobre a instalação da MGB na Serra do Rola Moça. As antigas operações da MGB na mina de Casa Branca, que deixaram como marca uma cratera na paisagem da Serra, foram paralisadas pela Justiça há 21 anos, em 2000.

Mineração em área de conversação?

A mina fica na Zona de Amortecimento do parque, isto é, na área que fica ao redor da Unidade de Conservação (UC), nos limites de Brumadinho e Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A cava da mina também está inserida em uma área de proteção ambiental da Região Metropolitana de Belo Horizonte e na reserva da biosfera da Serra do Espinhaço.

O projeto minerário da MGB prevê a construção de uma estrada dentro da UC impactando a área com supressão de mata atlântica, e gerando trânsito intenso de caminhões, o que causará poluição visual, sonora, e atmosférica.

O Plano de Manejo da UC bem como a lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) proíbem qualquer tipo de atividade que faça o uso direto de seus recursos naturais.

As Unidades de Conservação de Proteção Integral são criadas para manter um mínimo de equilíbrio dos ecossistemas, garantindo a proteção dos mananciais de água, fundamentais para suprir o abastecimento de água de cerca de 40% da população da RMBH.

Rodoanel

A manifestação também pretende chamar a atenção das autoridades e da população para o edital que está sendo lançado pelo governo de Minas, para construção da Alça Sul do novo Rodoanel. Para moradores da região e ambientalistas, o projeto causará grande impacto ambiental na região do Rola Moça.

Em 2012, quando começaram as discussões sobre o Rodoanel, foram apresentadas 3 opções de trajetos, um deles passando por Ibirité, Casa Branca Piedade do Paraopeba até a 040. Na época, esse trajeto fora descartado, em função do alto custo sócio ambiental e também econômico. Acordou-se, então, a opção de outro trajeto passando em Betim por Ibirité, contornando ao norte o Parque do Rola Moça até atingir o anel na altura do bairro Olhos D’água.

Para surpresa geral, entretanto, o traçado rejeitado em 2012, que já havia sido descartado, voltou a figurar no edital a ser lançado pelo governo.

O dinheiro para as obras está sendo negociado entre o Estado e a Vale, dentro dos 50 bilhões da multa ambiental pelo rompimento da barragem em Brumadinho – sem a imprescindível presença dos atingidos. Os manifestantes entendem que esse acordo para que a Vale banque esse trecho do Rodoanel, tido como reparação pelo crime de
Brumadinho, na verdade não é uma reparação, pois prejudica o acervo ambiental da região.

Privatização

O Parque Estadual do Rola Moça está entre os sete parques de Minas, cujas unidades foram incluídas em um plano nacional de concessões à iniciativa privada, criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Os
ambientalistas questionam a privatização dos parques e a real capacidade da iniciativa privada, tendo sempre o lucro como norte, em prover segurança e sustentação ambiental às Unidades de Conservação de Proteção Integral.

Roteiro da manifestação

Das 9h30 às 10h30 acontecerá a chegada e a organização dos carros na Praça de Casa Branca. Às 10h30 a carreata sairá da Praça de Casa Branca em direção ao Parque Mirante dos Veados. Às11h00, terá início a manifestação no Mirante do Veados.

A carreata seguirá em silêncio, somente com as bandeiras ativadas e o Grupo Tamboriô tocará a percussão sem uso da voz. Um parlatório ficará próximo ao carro de som com um microfone. Após as falas no parlatório, será tocada uma música para relembrar os dois anos do Crime da Vale em Brumadinho, em honra às famílias das vítimas da tragédia causada pelos crimes minerários.

No término do ato, as bandeiras brancas serão balançadas por um minuto.

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